quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Encontro do dia 01/07 - Fórum sobre heranças da leitura

Minhas influências como leitora

Eu comecei aprender a ler muito nova, com uns 5 anos de idade, primeiro com a ajuda de minha mãe, que era dona de casa e dispunha de tempo para me ensinar as letrinhas e depois com o precioso auxílio de minha tia, irmã dela, que na época era alfabetizadora e se encantou com o meu empenho em ler e escrever. Elas me consideravam muito inteligente e me estimularam muito. A minha mãe fazia economias para comprar coleções de capa dura dos livros da Bíblia para crianças e histórias infantis, geralmente contos de fadas e minha tia, além de me estimular bastante nas "tarefinhas escolares" que me dava antes de eu ir à escola, tinha um tesouro de livros em casa e uma coleção de gibis da Turma da Mônica que me tomavam horas de leitura sempre que a visitava. Como eu estava despertando o interesse de minha família, tamanha a facilidade em aprender e o prazer que sentia em ler, minha irmã que era professora e atuava em biblioteca pública, começou a investir em mim comprando livros ou trazendo emprestados os melhores títulos para crianças que encontrasse. Assim tive a oportunidade de conhecer as edições de Pollyana menina e Pollyana moça, O pequeno príncipe, O menino do dedo verde, As aventuras de Gulliver, vários livros de Júlio Verne, além de vários outros clássicos da literatura universal infantil do nosso e de vários outros países. Meus pais não tiveram muito acesso aos estudos, mas meu pai comprava o jornal todo domingo e lia sentado no sofá, às vezes em voz alta para que soubéssemos das notícias. Ele dizia a seu modo simples, que era melhor ler devagarzinho a notícia no jornal do que assistir na TV que nem dava tempo para pensar. Até hoje achoincrível como em sua sinplicidade ele podia ser tão sábio! Por causa desses hábitos, meus pais sempre se mostraram muito críticos e inteligentes, embora não fossem tão letrados devido à falta de oportunidade para estudarem enquanto eram jovens. Mas como davam valor à leitura, aos cálculos mentais e aos estudos!!! Minha mãe comprava coleções de revistas coquetel de passatempos dos mais difíceis e me desafiava (até hoje ela faz isso...) a responder mais do que ela. Ela me desafiou tanto a aos meus irmãos que todos nós estudamos muito e nos formamos em diversas áreas, mas não só por necessidade de entrar no mercado de trabalho, mas essencialmente pelo prazer de estudar, de usar a mente, de se manter atualizado, crítico, criativo, politizado, atuante e imaginativo.

10º Encontro do dia 26/06

A relação entre oralidade e escrita no estudo dos gêneros

Antes vamos falar em oralidade. Observe, como exemplos, as mentiras mais comuns no discurso de cada um. Percebe-se facilmente a intencionalidade no uso das palavras:

ADVOGADO: - Esse processo é rápido.
AMBULANTE: - Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.
ANFITRIÃO: - Já vai? Ainda é cedo!
ANIVERSARIANTE: - Presente? Sua presença é mais importante
ASSISTÊNCIA TÉCNICA: - Foi o carvão do motor e problema de pico na fonte.
BÊBADO: - Sei perfeitamente o que estou dizendo.
CASAL SEM FILHOS: - Visite-nos sempre; adoramos suas crianças.
CONTADOR: Tá batendo tudo.
CORRETOR DE IMÓVEIS: - Em 6 meses colocarão: água, luz e telefone.
DELEGADO: - Tomaremos providências.
DENTISTA: - Não vai doer nada.
DESILUDIDA: - Não quero mais saber de homem.
DEVEDOR: - Amanhã, sem falta!
ENCANADOR: - É muita pressão que vem da rua.
FILHA DE 19 ANOS: - Dormi na casa de uma colega.
FILHO DE 19 ANOS: - Antes das 11 estarei de volta.
GERENTE DE BANCO: - Trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado.
INIMIGO DO MORTO: - Era um bom sujeito.
JOGADOR DE FUTEBOL: - Vamos continuar trabalhando e forte.
LADRÃO: - Isso aqui foi um homem que me deu.
LOCUTOR DE TV: - E até a próxima semana, neste mesmo horário.
MECÂNICO: - É o carburador.
MUAMBEIRO: - Tem garantia de fábrica.
NAMORADA: - Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei...
NAMORADO: - Você foi a única mulher que eu realmente amei.
NOIVO: - Casaremos o mais breve possível!
ORADOR: - Apenas duas palavras...
OTIMISTA: - Os últimos serão os primeiros...
PEIXEIRO: - Pode levar freguesa; está fresquinho...
POBRE: - Se eu fosse milionário espalhava dinheiro pra todo mundo...
RECÉM-CASADO: - Até que a morte nos separe.
SAPATEIRO: - Depois alarga no pé.
SOGRA: - Em briga de marido e mulher não me meto.
VAGABUNDO: - Há 3 anos que procuro, mas não acho nada.
VICIADO: - Essa vai ser a última.

Assim como escolhemos as palavras certas para usar em determinada situação comunicativa, escolhemos o gênero que melhor se adequa às nossas intenções, tanto na oralidade como na escrita. Lá vai outro exemplo bem interessante que explora a intencionalidade dos meios de comunicação:

Existem diferentes maneiras de contar a mesma história.

A do chapeuzinho vermelho, por exemplo, seria noticiada assim:

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... '.
(Fátima Bernardes): '... Mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.
PROGRAMA DA HEBE
(Hebe): '... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'
CIDADE ALERTA
(Datena): '... onde é que a gente vai parar... cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva...Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não. '
REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.
REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.
FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.
O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.
ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.
AQUI
Sangue e tragédia na casa da vovó!
REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte):
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'
PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte):
Veja o que só o lobo viu.
REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador):
Lenhador mostra o machado!
SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! Mito ou verdade?
DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.

9º Encontro do dia 19/06

Gêneros e tipos textuais na escola

É importante estudá-los porque os alunos precisam ter contato com o maior número de textos variados possível, para ser capaz de classificá-los, de entender a situação comunicativa envolvida em cada um e de ser capaz de produzir essa variedade de textos, o que gera um envolvimento cada vez maior dos alunos com as possibilidades de comunicação em nossa língua. É interessante provocar produções e leituras que explorem essa enorme variação de gêneros e tipos existente em nossa linguagem. Seguem abaixo algumas considerações e o texto produzido por mim e Nerinete no encontro:

Gêneros e tipos textuais: considerações necessárias sobre o tema

Os gêneros textuais transformam-se em instrumentos da ação social. A escola pode didatizar esse processo a fim de propiciar ao aprendiz um contato mais eficaz e mais adequado com a ação lingüística diária. Nisto se baseia a essência do trabalho com gêneros em sala de aula em todos os níveis do ensino desde o nível fundamental até o Terceiro Grau.
Num discurso existem, segundo Aristóteles, três tipos de ouvintes que operam: (i) como espectador que olha o presente; (ii) como assembléia que olha o futuro e (iii) como juiz que julga sobre coisas passadas.
E a estes três tipos de julgamento Aristóteles associa três gêneros de discurso retórico: (i) discurso deliberativo; (ii) discurso judiciário e (iii) discurso demonstrativo. Do ponto de vista funcional, o discurso deliberativo servia para aconselhar / desaconselhar, e voltava-se para o futuro por ser exortativo por natureza; já o discurso judiciário tem a função de acusar ou defender e reflete-se sobre o passado, enquanto o discurso demonstrativo tem caráter epidítico, ou seja, de elogio ou censura, situando-se na ação presente.
Assim, a análise de gêneros engloba uma análise do texto e do discurso e uma descrição da língua e visão da sociedade, e ainda tenta responder a questões de natureza sócio-cultural no uso da língua de uma maneira geral. O trato dos gêneros diz respeito ao trato da língua em seu cotidiano nas mais diversas formas. E se adotarmos a posição de C. Miller (1984) podemos dizer que os gêneros são uma “forma de ação social”. Eles são um “artefato cultural” importante como parte integrante da estrutura comunicativa de nossa sociedade.
uma categoria cultural
um esquema cognitivo
uma forma de ação social
uma estrutura textual
uma forma de organização social
uma ação retórica
Uma das teses centrais aqui é a de que é impossível não se comunicar verbalmente por algum gênero, assim como é impossível não se comunicar verbalmente por algum texto. Em outros termos, a comunicação verbal só é possível por algum gênero textual. Daí a centralidade da noção de gênero textual no trato da produção lingüística.
Não vamos discutir aqui se é mais pertinente a expressão “gênero textual” ou a expressão “gênero discursivo” ou “gênero do discurso”. Vamos adotar a posição de que todas essas expressões podem se usadas intercambiavelmente.
Tipo textual designa uma espécie de seqüência retórica subjacente definida pela natureza lingüística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo}. O tipo caracteriza-se muito mais como seqüências lingüísticas (seqüenciação de enunciados, um modo retórico) do que como textos materializados; a rigor, são modos textuais.
Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção.
Domínio discursivo constitui muito mais uma “esfera da atividade humana” no sentido bakhtiniano do termo do que um princípio de classificação de textos e indica instâncias discursivas (por exemplo: discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso etc.). Não abrange um gênero em particular, mas dá origem a vários deles, já que os gêneros são institucionalmente marcados. Constituem práticas discursivas dentro das quais podemos identificar um conjunto de gêneros textuais que às vezes lhe são próprios ou específicos como práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas e instauradoras de relações de poder.
Na noção de tipo textual predomina a identificação de seqüências lingüísticas como norteadora; e para a noção de gênero textual predominam os critérios de padrões comunicativos, ações, propósitos e inserção sócio-histórica. No caso dos domínios discursivos não lidamos propriamente com textos e sim com formações históricas e sociais que originam os discursos.
Não há uma dicotomia entre Gênero e tipo. Trata-se duma relação de complementaridade. Ambos coexistem e não são dicotômicos. Todos os textos realizam um gênero e todos os gêneros realizam seqüências típicas. Por isso mesmo, os gêneros são em geral tipologicamente heterogêneos.
Um telefonema pode envolver argumentações, narrativas e descrições, ou seja, ele é heterogêneo. Podemos, pois, indagar se a noção de telefonema é clara hoje em dia. Observem-se algumas das diversas maneiras de usar o telefone:
há a conversa telefônica (por telefone celular ou fixo) que nós mantemos todos os dias para a nossa mãe, filhos, amigos, colegas de trabalho ao qual chamamos de telefonema;
há o telefonema que mandamos a companhia telefônica dar por nós e se chama de telegrama fonado;
há o telefonema na forma de um recado gravado ou recado em secretária eletrônica;
há os telefonemas de aniversário, casamento etc., através de agências conhecidos como tele mensagens.
Com efeito, há muito mais formas de usar o telefone do que o simples telefonema. O que é então um telefonema (enquanto gênero) diante de tanta variação na forma e nos recursos utilizados?
Esta situação vai repetir-se com a carta, o formulário, o resumo e assim por diante, de modo que a questão de dar nome aos gêneros é algo de enorme complexidade.

A questão da intergenericidade

Viva saudável com os livros DIOGENES
Os Livros Diógenes acham-se internacionalmente Introduzidos na biblioterapia
Posologia:
As áreas de aplicação são muitas. Principalmente resfriados, corizas, dores de garganta e rouquidão, mas também nervosismo, irritações em geral e fraqueza de concentração. Em geral, os Livros Diógenes atuam no processo de cura de quase todas as doenças para as quais prescreve-se descanso. Sucessos especiais foram registrados em casos de convalescença.
Propriedades:
O efeito se faz notar pouco tempo após iniciada a leitura e tem grande durabilidade. Livros Diógenes aliviam rapidamente a dor, estimulam a circulação sangüínea e o estado geral melhora.
Precauções/riscos:
Em geral, os Livros Diógenes são bem tolerados. Para miopia aconselham-se meios de auxílio à leitura. São conhecidos casos isolados nos quais o uso prolongado produziu dependência.
Dosagem:
Caso não houver outra indicação, sugere-se um livro a cada dois ou três dias. Regularidade no uso é o pressuposto essencial para a cura. Leitura diagonal ou desistência prematura pode interferir no efeito.
Composição:
Papel, cola e cores na impressão. Livros Diógenes são ecologicamente produzidos. Neles são usados somente papéis de madeira sem cloro e sem ácidos, o que garante alta durabilidade.
Também no caso de boa saúde garante-se ótima distração.
LIVROS DIOGENES são menos aborrecidos


(1) intergenericidade à um gênero com a função de outro

(2) heterogeneidade tipológica à um gênero com a presença de vários tipos


DEFINIÇÃO DE SUPORTE: entendemos aqui como suporte de um gênero um locus físico ou virtual com formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero materializado como texto.
Pode-se dizer que suporte de um gênero é uma superfície física em formato específico que suporta, fixa e mostra um texto. Esta idéia comporta três aspectos:
suporte é um lugar físico ou virtual
suporte tem formato específico
suporte serve para fixar e mostrar o texto.

carta pessoal (GÊNERO) → papel-carta (SUPORTE) → tinta (MATERIAL DA ESCRITA) → correios (SERVIÇO DE TRANSPORTE) ...

JORNALISMO [Domínio discursivo]
JORNAL [suporte]
IDEOLOGIA DOS EUA [Formação discursiva]
REPORTAGEM JORNALÍSTICA [gênero]
NEW YORK TIMES [órgão, instituição]
NARRAÇÃO... [Seqüências tipológicas]

EXEMPLOS DE SUPORTES CONVENCIONAIS
(1) Livro
(2) Livro didático
(3) Jornal (diário)
(4) Revista (semanal / mensal)
(5) Revista científica (boletins e anais)
(6) Rádio
(7) Televisão
(8) Telefone
(9) Quadro de avisos
(10) Outdoor
(11) Encarte
(12) Folder
(13) Luminosos
(14) Faixas

ALGUNS EXEMPLOS DE SUPORTES INCIDENTAIS
(1) Embalagem
(2) Pára-choques e pára-lamas de caminhão
(3) Roupas
(4) Corpo humano
(5) Paredes
(6) Muros
(7) Paradas de ônibus
(8) Estações de metrô
(10) Fachadas
Entre outros

SERVIÇOS EM FUNÇÃO DA ATIVIDADE COMUNICATIVA

(1) Correios
Os correios são menos um suporte e mais um meio de transporte ou um serviço.
(2) {Programa de} E-mail
Aqui está um caso curioso, pois se tomarmos o programa “outlook”, por exemplo, teremos sem dúvida um suporte do tipo “correio eletrônico”, mas se tomarmos os e-mails enquanto correlatos das cartas pessoais, teremos um gênero.
(4) Internet
Trata-se de mais um caso limite. O autor trata a Internet como um suporte que alberga e conduz gêneros dos mais diversos formatos. A Internet contém todos os gêneros possíveis.
(5) Home Page e site
Para alguns autores a home Page e até mesmo o site é um gênero, mas para outros é um suporte. Creio que de um modo geral a home Page é um suporte e não um gênero. Não tenho condições de expor argumentos neste caso agora, mas os debates conduzidos em aula me deixaram com alguma clareza quanto a não se considerar este caso como um gênero e sim como um suporte. Além disso, parece claro que a home Page institucional carrega uma série de gêneros.

Classificados de festa junina

Faço sua festa junina bem original!!!
Pacote com:
*Pipoca super salgada,
*Milho tostado,
*Canjica aguada,
*Bolo de mandioca (Mané vestido),
*Quentão frio,
*Pé-de-moleque com bicho de pé,
*Forró bom de briga,
*Quadrilha de bandidos,
*Correio deselegante no auto-falante,
*Barraca da pescaria sem peixe,
*Bingo sem números,
*Barraca do beijo com a famosa atriz Dercy Gonçalves
Obs.: A Nega Maluca não vem porque está fazendo tratamento psiquiátrico.

Você não vai se arrepender!!!

8º Encontro do dia 12/06

Trabalhando com portfólio

Estou achando ótimo. É realmente muito agradável registrar nossas reflexões no portfólio, principalmente aqui no blog. Estou aprendendo muito e sinto que, de alguma forma isso poderá ser útil a quem se interessar em ler. Por isso às vezes posto textos e atividades que nem foram exigidas no curso, além de textos do próprio curso, enviados por minha tutora. Valeu Val, aí vai mais um texto seu:

O portfólio
O portfólio pode ser um meio valioso para os estudantes explorarem como as suas atividades de curso vêm preparando-lhes para as suas experiências reais, no campo pessoal e profissional, como aquelas experiência formais afetam sua educação e como todas elas os afetam e interferem em suas vidas.
Ao utilizar o portfólio, construindo, revendo-o e o aperfeiçoando, o estudante tem oportunidade de:
*Articular claramente o que realiza no curso e fora dele;
*Traçar conexões entre suas experiências e aquisições ou realizações;
*Registrar experiências que poderia esquecer ou subestimar, assegurando retomadas de temas, problemas não resolvidos, avanços e replanejamento;
*Aumentar seu nível de autoconhecimento e confiança;
*Visualizar aspectos principais que emergem em suas áreas de estudo e de interesse, que o ajudará a tirar o maior proveito das oportunidades no curso e em qualquer outro lugar;
*Trazer uma grande clareza de propósito e mais alto nível de motivação para o curso, em situações formais e informais, bem como para outros tipos de ambientes de aprendizagem;
*Demonstrar suas competências à medida que assume posições de participante e/ou de liderança no curso, na comunidade, nas experiências de pesquisa e trabalho;
*Ser capaz de melhorar substancialmente seu conhecimento, suas decisões e escolhas.

Atividades comuns na composição do portfólio:
*Identificação
*Apresentação
*Memorial reflexivo (quem sou eu /marcos profissionais)
*Relatos reflexivos dos temas discutidos
*Atividades práticas com reflexão
*Avaliação pessoal do curso
*Considerações finais
Obs.: A produção de outras atividades para o portfólio, além das comuns, é livre, inclusive em linguagens diferentes.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Encontro do dia 05/06 Oficina de idéias

Trabalhando inglês com alunos DAs
Eu já trabalho com alunos portadores de DA a algum tempo e só esse ano, conversando com a professora intérprete e com a coordenadora da sala de recursos dos DAs da escola surgiu a idéia de uma apostila onde estou acrescentando outras sugestões de atividades pois para mim a inclusão desses alunos é questão de honra e nós só podemos fazer de maneira digna se disponibilizarmos condições de aprendizagem que valorizem o potencial deles. Estou animadíssima!!! Pensei a princípio em montarmos um material completo de ensino de línguas, mas como isso leva tempo, o ideal é ir anexando todas as atividades que usarmos para que ao final do ano letivo esteja preparado o primeiro "livrinho".

Imaginei cada unidade começando com um vocabulário em libras e inglês, depois atividades dirigidas e no final os jogos. Assim teríamos:

1-Vocabulary 2-Activities 3-Games

Vocabulary:

Sempre com gravuras e palavras junto, se possível e quando houver, acrescentar a gravura do gesto (no caso de alunos que usam Libras). As estruturas gramaticais são apresentadas ao mesmo tempo das palavras, expressões e diálogos do novo vocabulário.

Activities:

Adaptar as atividades em que seja necessário ouvir e falar ou produzir textos com muitos conectivos. As outras atividades com escrita, recorte, colagem, desenho e pintura estão liberadas.

Games:

É importante variar senão os alunos perdem o interesse pelos jogos. Por isso fiz uma lista de jogos e passatempos interessantes para serem usados individualmente, em duplas e em grupos. Os jogos são confeccionados pelos próprios alunos, nas aulas de LEM a Artes, pois enquanto colorem, recortam, colam, fazem caixinhas para guardar e organizam as peças eles estão memorizando o vocabulário.

1- Jogo da memória: Relacionar palavras e gravuras. Individual ou duplas.

2- Dominó: Parecido com o da memória, relacionando palavras e gravuras. Grupos de até 4 pessoas.

3- Corrida maluca: Avança uma casa quem responde ao comando ou à questão. Em grupos. Quando os alunos não falam, podem usar libras ou fichas com gravuras ou palavras.

4- Palavras cruzadas: Olhando as gravuras escrever as letras nas palavras cruzadas.

5- Caça-palavras: Olhando as gravuras, procurar seus nomes no quadro de palavras.

6- Criptograma: Para letras iguais, símbolos iguais. Esse é legal porque podem usar inclusive o alfabeto de libras...

7- Bingo: O professor com as palavras e os alunos com as gravuras. O professor sorteia cada palavra, ao passo que o aluno que tiver a gravura correspondente deve mostrar a gravura e ir eliminando do jogo. Quem conseguir mostrar todas as suas gravuras primeiro vence. Muito bom!!!

8- Yes/No: O professor mostra uma palavra e uma gravura. Os alunos mostram uma ficha onde está escrito YES, se a palavra corresponde à gravura ou NO, se ele acha que não corresponde. A cada acerto continua no jogo. Vence o último que sair.

9- Passa ou repassa: As fichas do jogo são feitas com gravuras e alternativas de respostas, como numa questão de múltipla escolha. O jogador deve escolher a alternativa correta ou passar a vez para o adversário que também pode escolher ou repassar. Se acertar ganha o ponto, mas se responder errado perde um ponto. Ganha quem tiver mais pontos.

10- Letras embaralhadas: O professor mostra uma gravura ou faz o gesto da palavra, em seguida distribui as letras para os alunos e cada um deve montar a palavra corretamente. Quem acertar a ordem das letras ganha o ponto.

Vejamos se eu consigo esclarecer melhor alguns pontos. Suponhamos que você está ensinando o uso do auxiliar CAN, esportes e atividades comuns do dia-a-dia. Você pede aos alunos que tragam gravuras de esportes, usa essas gravuras para apresentar os nomes dos esportes e também formular perguntas e respostas usando o auxiliar (Can you play soccer? Yes, I can. Can Lúcia dance ballet? No, she cannot. etc) Você faz as perguntas oralmente, mas sempre tendo o cuidado de anotar as respostas abaixo de cada gravura. O que os outros alunos vão perceber oralmente o aluno surdo precisa visualizar nas gravuras, nos gestos, na leitura labial e na reação dos colegas. Quanto mais informações visuais ele tiver, melhor o aprendizado. Se ele manipular jogos, gravuras, objetos e fotografias, melhor ainda. Então, só ao final dessas apresentações você poderá usar um texto que contenha os elementos ensinados. dessa forma ele não terá muita dificuldade para abstrair do texto aquilo que já viu antes na aula.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Encontro do dia 27/05 - Fórum com Jonas Ribeiro e André Neves


Encontro do dia 27 de maio de 2008

O livro de literatura em sala de aula

A literatura deve ser prazerosa, antes de tudo , porque o gosto da leitura só se adquire por prazer, nunca por obrigação. É por isso que muitas pessoas sentem dificuldade de gostar dos livros. Eles foram impostos como uma necessidade, não uma forma de descontrair, se informar, adquirir o conhecimento que você procura. O professor deve sugerir, mostrar, convidar a participar, ler, brincar com eles, explorar o lúdico dos textos e das gravuras, propor desafios, descobrir preferências por assuntos e tipos de textos, perguntar com intersse e curiosidade, parodiar, propor atividades de reconstrução de histórias, de maquetes, de gravuras, de pinturas, de bonecos, de encenação personagens, de cantigas e tantas outras, pedir aos pais que leiam também, enviar livros para eles e não apenas cobrar.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

7º Encontro do dia 15/05


Encontro do dia 15 de maio de 2008

COESÃO E COERÊNCIA
(Benedita Azevedo – Setembro de 2007)

O Texto Coeso:

Conforme a estrutura do parágrafo, todo texto escrito pressupõe uma organização diferente do texto falado. Já sabemos que a sua forma e estruturação são essenciais para a clareza da comunicação da mensagem, entretanto, outros elementos também contribuem para que esse discurso seja bem sucedido.

É sobre isso que trabalharemos nessa unidade, ou seja, o que é coesão e coerência textual. A palavra coesão no dicionário possui vários significados, entre eles ligação e associação íntima das partes de um todo. Ora, se o todo é o texto, associar as suas partes é ligar as palavras e as idéias sem repeti-las.

"A Coesão é a manifestação lingüística da coerência, advém da maneira como os conceitos e relações subjacentes são expressos na superfície textual. Responsável pela unidade formal do texto, a coesão constrói-se através de mecanismos gramaticais (pronomes anafóricos, artigos, elipse, concordância, correlação entre os tempos verbais e conjunções) e lexicais", (COSTA VAL).
Pode-se dizer portanto, que o conceito de coesão está ligado aos elementos constituintes do texto.

Observe as palavras:

Casa rosa bonita casa branca

Todos os elos podem formar uma corrente, porém precisam estar ligados entre si através de outros elos. Isso formará uma corrente coesa, no caso das palavras, isso também dará coesão ao texto.
Veja o resultado: A casa rosa é mais bonita que a branca.

A coesão: é a correta ligação entre os elementos de um texto, que ocorre no interior das frases, entre as próprias frases e entre os vários parágrafos. Pode-se dizer que um texto é coeso quando os conectivos (conjunções, pronomes relativos) e também a preposição são empregados corretamente.
A coerência: diz respeito à ordenação das idéias e dos argumentos. A coerência depende da coesão. Um texto com problemas de coesão terá, com certeza, problemas de coerência. Vejamos alguns exemplos.

a) preposição:
“A ditadura achatou os salários dos professores e tirou matérias importantes no desenvolvimento do jovem”.
Ficaria melhor se fosse utilizada a preposição para: importantes para o desenvolvimento do jovem.

b) pronome relativo:
“Os alunos que os pais colaboram são os esquecidos...”
O pronome correto seria cujos: “Os alunos cujos pais colaboram são os esquecidos...”

c) conjunção:
“Controlar o país, para muitos governantes, é dar a impressão de que existe democracia. Portanto, se o povo participa, é imediatamente reprimido”.

É evidente que a conjunção, portanto está mal empregada. A idéia que se quer expressar é de oposição e não de conclusão. Logo, a conjunção correta seria no entanto, mas, porém etc.

“Controlar o país, para muitos governantes, é dar a impressão de que existe democracia. Porém, se o povo participa, é imediatamente reprimido”.

Problemas como esses levam a uma falta de coerência na argumentação, já que os conectivos não estabelecem as relações adequadas


BIBLIOGRAFIA
1. MAIA. João Domingues, Português, Novo Ensino Médio, vol. Único,Editora Ática, SP,3a ed., 2000.
2. PLATÃO ET FIORIN, Lições de textos: leitura e redação, Editora Ática, São Paulo, 3a edição, 1998.
3. INFANTE. Ulisses, Curso de Gramática Aplicada aos textos, 2ª edição, São Paulo, Scipione, 1995.
4. MESQUITA. Roberto Melo, Gramática da Língua Portuguesa, 3ª edição, São Paulo, Saraiva, 1995.

Retirado de http://recantodasletras.uol.com.br/arquivos/634746.doc em 31/07/08

Leia a seguir como Graciliano Ramos fala do processo de escrever:

?[...] deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa seja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso: a palavra foi feita para dizer?
Escrever não é apenas colocar palavras no papel, não é? Precisamos trabalhar muito, quando queremos escrever. Todo texto é um produto, mas sua elaboração é, antes de tudo, um processo que relaciona, basicamente, duas ordens de fatores: 1) finalidade, leitor previsto, assunto e tipo de texto; e 2) a construção de uma unidade de significação.
Imagine que você vai escrever uma carta (ou um e-mail) para um jornal comentando uma notícia sobre os alimentos transgênicos Evidentemente, você leva em consideração:
 a finalidade de sua carta (participar do debate, dando sua opinião);
 o que quer comentar (alimentação e transgênicos);
 para quem está escrevendo (jornal);
 o tipo de texto: a carta ou e-mail.
Em função disso tudo, você dá sua opinião, usando elementos da carta e escolhendo argumentos que sustentem suas idéias. Assim, para escrever sua carta, você - como autor - precisa elaborar um texto coerente não só com suas idéias, mas também coerente em relação ao seu objetivo, ao leitor que pretende atingir, ao gênero textual que está desenvolvendo.
Vamos pensar um pouco mais a esse respeito...
Coesão e coerência
Imagine a seguinte situação: na grande decisão de um campeonato, o técnico de um dos times declarou aos jornalistas:

"Vamos respeitar o adversário, mas, agora, nosso time está coeso".

Agora, numa outra situação, a namorada diz para o namorado:

"Não adianta. Não vou mais perdoar você. Quero que tenha atitudes coerentes."

Na primeira situação, o técnico enfatizou o fato de seu time estar coeso, como uma qualidade importante para ganharem o jogo. "Coeso" significa "unido", "intimamente ligado", "harmônico".
Na segunda situação, a namorada cobra atitudes coerentes do namorado. "Coerência" significa "harmonia", "conexão", "lógica".

A vaguidão específica

Você sabia que "coesão" e "coerência" são as duas propriedades fundamentais para que exista um texto? Sem esses elementos, não podemos dizer que existe texto. Quando muito, há um amontoado desconexo de palavras colocadas lado a lado. Bem, vamos a mais uma reflexão? Desta vez, leia o trecho de uma crônica de Millôr Fernandes.

As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica-
Richard Gehman

?Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte."?
Junto com as outras?"
?Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.";
?Sim senhora. Olha, o homem está aí."
?Aquele de quando choveu?"
?Não o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo."
?Que é que você disse a ele?"
?Eu disse para ele continuar."
?Ele já começou?"
?Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse."(...)

(Millôr Fernandes. "Trinta anos de mim mesmo". São Paulo: Abril Cultural, 1973)

Veja como o humorista faz sua sátira, a partir de duas idéias básicas: "as mulheres falam demais" e "somente as mulheres se entendem".
Comece a analisar pelo título a ironia do autor: "A vaguidão específica" (como algo pode ser vago e específico, ao mesmo tempo? Só as mulheres, diria Millôr e os que pensam como ele...). Para confirmar suas idéias, ele busca uma "autoridade" para fazer a citação: Richard Gehman (quem seria? Um estrangeiro, pelo nome. Novamente, o humorista brinca com uma idéia pronta: sendo "alguém de fora" deve ter muito a nos ensinar...).
Quem participa da história narrada? Duas mulheres. São elas patroa e empregada? Mãe e filha? Não sabemos. Qual é o assunto de que falam as duas mulheres? Nós, leitores, não sabemos, mas as duas personagens sabem, não é mesmo?
A que se referem as palavras e trechos: "isso", "outras", "alguém", "qualquer coisa", "lugar do outro dia", "o homem", "Aquele", "o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo", "continuar", "começou"? Os leitores não sabem, mas as mulheres sim e como as duas sabem do que estão falando, a "costura" do texto vai sendo feito de forma coerente e coesa.
Você viu que Millôr Fernandes, intencionalmente, quis brincar com um preconceito social a respeito da mulher e seu jeito de falar, considerado excessivo. Assim, para entendermos o texto, como coerente e coeso, é preciso levar em conta o fato do autor ser um humorista e seu texto trazer essa marca da "surpresa" ou do "olhar sobre outro ângulo" - como numa piada.

Retirado de http://tutomania.com.br/saiba-mais/coesao-e-coerencia em 31/07/08.

Não é novidade para ninguém: é incoerente (ou parece ser) uma pessoa declarar que detesta jogar futebol e sempre convidar os amigos para uma pelada. Seria coerente, se tal pessoa não gosta de futebol, não convidar seus amigos para jogar bola. É incoerente alguém dizer que devemos ser humildes e essa mesma pessoa ser orgulhosa.Assim é que a coerência pode ser entendida como o fenômeno da harmonia entre as idéias, opiniões. Ou, dito de outra forma, seria um princípio de não contradição. (Se alguém segue uma linha de pensamento, sem sair dela, essa pessoa é coerente; já se esta pessoa não agir conforme suas opiniões, isto parece ser incoerente).
Veja se são coerentes ou incoerentes os pares de fatos relacionados abaixo:
1) gostar de casa arrumada X deixar tudo espalhado
2) gostar de viajar X ficar sempre em casa nas férias
3) considerar que escola é necessário à educação X pôr os filhos na escola
4) ser contra comida enlatada X só comprar ervilha diretamente da horta
Se analisarmos bem o par número 2, incoerente à primeira vista, poderemos facilmente imaginar uma situação na qual a pessoa que goste de viajar não o faça por falta de recursos. Nesse caso, gostar de viajar e ficar em casa durante as férias não se caracterizam como situações que, postas lado a lado, geram incoerência. A incoerência existiria se a pessoa ficasse em casa nas férias porque gosta de viajar...
Perceberemos a coerência entre as duas situações do par de número 2 se conhecermos a situação da pessoa que, por falta de recursos, não viaja. Outro modo de percebermos a coerência é através da expressão clara da ligação entre as duas situações, que pode se dar por uma palavrinha, a conjunção mas:
Luiz gosta de viajar mas fica sempre em casa nas férias.
Ou, explicitando melhor,
Luiz gosta de viajar, mas fica sempre em casa nas férias, porque não tem dinheiro para viajar.
Pronto: acabou-se a incoerência.
Em nosso cotidiano, por vezes, precisamos explicitar as ligações entre fatos, para que os outros percebam que não somos incoerentes. Assim, não é raro usarmos frases como: Gosto dela, mas vou dar o fora.
Não vou tomar sorvete, embora goste, porque estou de regime.
É bonito ter cabelo comprido, mas uso curto porque não tenho tempo para cuidar.
Precisamos de mais um quarto, mas não vamos construí-lo agora porque o dinheiro está curto.
É mais rápido ir de moto para o trabalho, mas eu prefiro ir de ônibus porque o trânsito está muito perigoso.
Torço para o Flamengo, mas quero que o Vasco ganhe porque não agüento mais a choradeira lá em casa.
Se a pessoa com quem falamos sabe que estamos de regime, não é preciso dizer a ela que gostamos de sorvete e lhe explicar que estamos de regime. Basta dizer: “Não vou tomar sorvete”. Se a pessoa sabe que preferimos ir de moto por ser mais rápido, não é preciso fazer a afirmação “É mais rápido ir de moto para o trabalho”, ao lhe informar que não estamos usando a moto para ir até o local de trabalho.

O que percebemos, então?

Percebemos que há situações de interlocução nas quais não precisamos explicitar tudo, mas que há outras nas quais, para não parecermos ilógicos, incoerentes, loucos até, temos necessidade de explicar mais. Se pensarmos na situação do sorvete, temos necessidade de explicar que não tomar sorvete não decorre de gostar muito de sorvete; ao contrário, não tomar sorvete é uma decisão tomada apesar de se gostar muito de sorvete.A noção de coerência, de harmonia entre idéias e fatos, e a noção daí decorrente, que é a de coesão, de ligação entre os fatos, foram consideradas por nós como fundamentais para o bom uso da língua, ao falarmos, conversarmos, escrevermos ou lermos. É verdade que há momentos em que o falante pode querer deixar uma ambigüidade no ar, pode querer provocar um efeito cômico, pode não precisar explicitar a coerência porque a situação já fala por si. Entretanto, se o falante de fato não explicitar a ligação entre os fatos, isso deverá ser por sua opção, e não por falta de conhecimento.Assim, ao que parece, o que se denomina “coesão” seria aquilo que tenta explicitar a coerência, quando ela, em um texto, não pode ser facilmente depreendida. Desta forma, nos textos, os conectivos, que são alguns dos agentes de coesão, representariam a tentativa de explicitação da coerência.


Retirado de http://ead1.unicamp.br/e-lang/supletivo/ em 31/07/08.